A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou nesta quinta-feira (06/08) que a reposição de testosterona em mulheres não deve ser realizada de forma obrigatória ou indiscriminada. Segundo a agência, o uso inadequado do hormônio pode trazer riscos à saúde, incluindo possíveis impactos cardiovasculares.
A divulgação de supostos benefícios nas redes sociais, como ganho de massa muscular, emagrecimento, aumento da libido e melhora da aparência da pele, é contestada por entidades médicas. A reposição hormonal só deve ser indicada em casos específicos, após avaliação clínica, realização de exames e acompanhamento especializado.
Em quais situações a testosterona pode ser indicada para mulheres?
Segundo nota conjunta da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a única indicação reconhecida de testosterona em mulheres é para tratar o transtorno do desejo sexual hipoativo na pós-menopausa, com prescrição após avaliação médica criteriosa.
Essas recomendações destacam que a avaliação deve ser individualizada, considerando sintomas apresentados, histórico médico e resultados de exames laboratoriais. Qualquer prescrição sem respaldo científico pode induzir à exposição desnecessária a riscos.
💜 Receba as novidades da sua aposentadoria no WhatsApp
Pagamentos do INSS, benefícios e dicas úteis, com uma linguagem simples e clara.
ENTRAR NO GRUPO →
Imagem: Magnific
Por que a reposição de testosterona não é recomendada de forma universal?
A Anvisa ressalta que não existe necessidade biológica universal para reposição desse hormônio em todas as mulheres. A prática de dosar testosterona como exame de rotina ou com base apenas em alegações de “déficit androgênico” não está sustentada pela ciência e pode levar a uso inadequado.
O uso sem critério expõe à possibilidade de efeitos adversos, especialmente quando realizado em doses elevadas ou em conjunto com outras substâncias. A orientação, reforçada por sociedades médicas, é que tratamentos hormonais sejam conduzidos com rigor, sempre sob supervisão profissional.
Quais são os riscos e efeitos adversos envolvidos?
Efeitos adversos relatados pela Anvisa com uso de testosterona sem indicação clínica incluem acne, alopecia (queda de cabelo e pelos), alterações hepáticas, dislipidemia (alteração nas gorduras sanguíneas), dependência psíquica e problemas cardiovasculares. O risco de complicações no fígado e nos vasos sanguíneos aumenta conforme a dose e tempo de uso, ampliando a preocupação com o uso não controlado.
As promessas veiculadas na internet de rejuvenescimento, mais energia e benefícios estéticos devem ser vistas com desconfiança, já que o uso do hormônio sem necessidade comprovada não só é ineficaz nesses fins, como pode resultar em agravos de saúde a médio e longo prazo.
Como são monitorados os eventos adversos?
Entre os medicamentos classificados como anabolizantes, testosterona e somatropina concentram mais de 90% das notificações recebidas pela Anvisa nos últimos anos. O crescimento desses relatos chegou ao pico em 2024, impulsionado principalmente pelo aumento da conscientização entre pacientes e profissionais, além da ampliação de plataformas digitais para registro voluntário.
De acordo com a Anvisa, isso não necessariamente indica aumento proporcional dos problemas, pois sistemas de notificação dependem de engajamento espontâneo.
O papel do acompanhamento médico nas terapias hormonais
O acompanhamento com endocrinologista ou ginecologista especializado é fundamental sempre que houver indicação para terapia com testosterona em mulheres. É fundamental considerar questões como alterações no ciclo menstrual, sintomas persistentes e fatores de risco individuais.
A avaliação periódica permite identificar rapidamente sinais de complicações e tomar decisões seguras sobre continuidade, ajuste ou suspensão do tratamento.
Por que exames de rotina com testosterona não são recomendados?
Conforme alerta da Anvisa, a dosagem rotineira do hormônio não contribui para diagnóstico seguro em mulheres sem sintomas evidentes de alteração androgênica. O exame só é indicado em situações de investigação clínica específica, sempre alinhado à análise médica detalhada do quadro.
Orientação
Diante da dúvida, busque avaliação médica antes de iniciar qualquer reposição hormonal e notifique eventuais reações indesejadas no VigiMed, plataforma oficial da Anvisa.
Quer ficar por dentro de mais informações? Não deixe de acompanhar os conteúdos do Portal Melhor Idade.

















Debate sobre post