Aposentados prejudicados por regra do INSS podem ter benefício recalculado com novo projeto.
A proposta, apresentada à Câmara dos Deputados nesta última quinta-feira, 2 de julho de 2026, pelo deputado Ribamar Silva (Pode-SP), busca corrigir distorções no cálculo da aposentadoria e permitir que os segurados escolham a regra mais favorável.
O texto também prevê a inclusão de contribuições feitas antes de julho de 1994, ponto que já foi alvo de disputa nos tribunais e pode alcançar milhares de beneficiários.
Por que tantos idosos perderam valor na aposentadoria?
A década de 90 marcou uma transição importante na previdência. Desde a edição da Lei 9.876/1999 e as mudanças trazidas pelo Plano Real, o cálculo da aposentadoria passou a considerar, na prática, apenas os salários recebidos a partir de julho de 1994.
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ENTRAR NO GRUPO →Para muitos, especialmente quem tinha altos salários e contribuições antes dessa data, a nova fórmula resultou em perdas financeiras consideráveis.
Assim, milhares de aposentados viram seus rendimentos reduzidos de forma inesperada. O sentimento de injustiça ficou evidente, especialmente para os que trabalharam e contribuíram pesado antes da mudança e acabaram não tendo esses valores incorporados no cálculo do benefício.
O que o Projeto de Lei 3379/2026 propõe?
A proposta de Ribamar Silva é clara: garantir aos segurados do INSS a escolha pela regra de cálculo mais vantajosa – o chamado direito à “revisão da vida toda”. Com isso, todas as contribuições feitas à Previdência, mesmo anteriores a julho de 1994, poderiam ser consideradas no novo cálculo.
O texto pretende alterar a Lei de Benefícios da Previdência Social (8.213/91) e a lei do fator previdenciário (9.876/99), criando uma alternativa legal para os casos em que a regra anterior seja mais benéfica ao trabalhador.
Quem poderá se beneficiar com a nova regra?
O projeto abrange os segurados filiados até 28 de novembro de 1999 e que atingiram os critérios para aposentadoria antes de 2019, quando entrou em vigor a Reforma da Previdência (Emenda Constitucional 103). Para esses beneficiários, a proposta determina que o próprio INSS deve revisar, de forma automática, os benefícios concedidos entre novembro de 1999 e novembro de 2019.

O que muda na prática?
- Correta inclusão das contribuições antigas: trabalhadores poderão ter salários mais antigos reconhecidos no cálculo do benefício.
- Revisão automática pelo INSS: não será necessário acionar a Justiça, pois a autarquia revisará os benefícios de ofício.
- Foco no futuro: os valores retroativos não serão pagos, apenas o valor mensal da aposentadoria será corrigido daqui para frente, após a entrada em vigor da nova lei.
Entenda o conceito da “Revisão da Vida Toda”
O termo ficou popular após diversas batalhas judiciais, especialmente depois da decisão do STF em 2022, que reconhecia o direito dos aposentados à revisão. No entanto, em março de 2024, a Corte mudou de posição, decidindo que a regra de transição de 1999 era obrigatória, barrando o uso da regra mais favorável para os segurados.
Segundo defensores, a proposta legislativa busca trazer uma definição estável ao tema e corrigir o que muitos consideram uma “iniquidade histórica”.
Sem pagamentos retroativos: entenda o motivo
Uma dúvida frequente entre os aposentados é sobre a possibilidade de receber os atrasados – ou seja, a diferença entre o valor que deveria ter sido pago desde a aposentadoria até hoje.
Para garantir o equilíbrio fiscal e facilitar a aprovação do projeto, optou-se por não permitir esse pagamento acumulado: assim, a revisão aumentará apenas os valores futuros.
De acordo com o deputado Ribamar Silva, a ideia é promover justiça previdenciária sem impor um passivo bilionário à União, tornando a mudança viável financeiramente.
Quais são as vantagens para os idosos?
Muitos idosos que trabalharam pesado antes de 1994 terão uma aposentadoria mais condizente com a realidade de sua vida laboral. Entre os pontos positivos, destacam-se:
- Justiça na hora de calcular o benefício, especialmente para quem teve altos salários no passado e não foi reconhecido no benefício original.
- Desburocratização, pois a revisão será automática para quem se encaixar nos critérios.
- Viabilidade financeira, sem cobrança de valores retroativos que poderiam dificultar a aprovação.
O que fazer se já existe ação judicial em andamento?
O PL prevê que, caso o segurado já tenha processado o INSS buscando a revisão, poderá desistir da ação sem arcar com honorários ou custos judiciais. Dessa forma, o pedido será revisto administrativamente pelas novas regras, facilitando o acesso ao benefício sem entraves judiciais.
O passo a passo para os interessados
Quando a lei entrar em vigor, quem cumprir os critérios terá direito à revisão automática, sem necessidade de novo requerimento. Já aqueles com ações judiciais poderão desistir do processo e solicitar a atualização do benefício diretamente ao INSS.
Quais os próximos passos para a proposta?
Agora, resta aguardar a tramitação e votação do projeto na Câmara dos Deputados e, depois, no Senado. Se aprovado e sancionado, o INSS deverá rapidamente preparar a revisão automática dos benefícios, tornando a regra válida para quem está enquadrado nas exigências.
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