O governo federal prepara uma nova linha de crédito para moto entregadores 2026, permitindo que trabalhadores de plataformas como iFood adquiram ou substituam motocicletas com condições facilitadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer lançar uma nova linha de crédito para financiar a compra de motos para beneficiar estes trabalhadores.
A linha para entregadores é um desejo do presidente desde o ano passado. Os detalhes estão sendo discutidos por Fazenda, Planejamento e MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Escalado para negociação entre trabalhadores e aplicativos, o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, também participa da discussão, além da Casa Civil.
Para ter acesso ao financiamento de moto para entregadores, será necessário comprovar vínculo de trabalho com uma plataforma de entregas por pelo menos seis meses, conforme discutem técnicos envolvidos no projeto.
A pedido do presidente, a equipe econômica deve apresentar esse modelo nas próximas semanas para lançamento ainda em junho. A intenção de lançar a nova linha foi confirmada nesta quarta-feira (3) pela ministra Miriam Belchior (Casa Civil) durante a reunião ministerial com Lula.
Quem poderá solicitar o crédito especial motoboys
O empréstimo moto delivery será direcionado a trabalhadores que prestem serviços para plataformas de entrega por, no mínimo, seis meses. A exigência de vínculo com uma plataforma tem por objetivo permitir o desconto da parcela do empréstimo diretamente na remuneração creditada na conta bancária do trabalhador.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços em 2024. Desse total, 58,3% (ou 964 mil) exerciam o trabalho principal por meio de aplicativos de transporte, incluindo os de táxi.
Técnicos estimam que há um público potencial entre 700 mil e 1,2 milhão de entregadores em todo o país que poderiam ser atendidos pelo programa do governo.
Valores e tipos de motocicletas financiáveis
O diagnóstico do governo é que o preço de uma motocicleta é bem menor do que o tíquete médio de um carro. Enquanto o Executivo precisou autorizar um financiamento de até R$ 150 mil na linha para motoristas, um crédito de R$ 10 mil a R$ 20 mil pode ser suficiente para entregadores adquirirem uma moto, mesmo que seja um modelo elétrico.
O valor médio de uma moto convencional gira em torno de R$ 17,8 mil, enquanto modelos elétricos custam entre R$ 8 mil e R$ 9 mil. A proposta em discussão não exigirá que o fabricante seja uma empresa nacional, diferentemente de outros programas de incentivo.
| Tipo de veículo | Valor estimado | Observação |
|---|---|---|
| Moto convencional (combustão) | R$ 17.800 | Valor médio de mercado |
| Moto elétrica | R$ 8.000 a R$ 9.000 | Também elegível ao programa |
Discussão sobre seguro e garantias bancárias
Os bancos participantes das negociações alegam dificuldade em recuperar motocicletas em caso de inadimplência, diferentemente do que ocorre com automóveis. Por isso, está em discussão a cobrança obrigatória de um seguro atrelado ao financiamento.
O desconto da parcela diretamente na remuneração do entregador — semelhante ao modelo de consignado — é visto como uma forma de reduzir o risco de crédito para as instituições financeiras e viabilizar taxas de juros mais atrativas.
Diferenças entre o Move Motos e o programa para motoristas de aplicativo
O governo já antecipou que terá “uma próxima entrega prevista, com essa mesma lógica, que é o Move Motos, com essa mesma lógica de veículos, financiamento para os motociclistas de aplicativos”.
Os detalhes sobre valores, taxas de juros e demais condições do financiamento ainda não estão fechados, mas o montante disponibilizado para os empréstimos deve ficar bem abaixo dos R$ 30 bilhões ofertados aos motoristas de aplicativo e taxistas. O diagnóstico do governo é que o preço de uma motocicleta é bem menor do que o tíquete médio de um carro.
A ideia é restringir a política a uma compra por CPF.
O que já mudou para motoboys e entregadores
A Medida Provisória que instituiu o Move Brasil para motoristas trouxe medidas para modernizar e simplificar as regras para mototaxistas, motoboys e entregadores que utilizam motocicletas como ferramenta de trabalho. O objetivo é reduzir burocracias, custos e barreiras de acesso à atividade.
A medida provisória trouxe mudanças para motoboys, mototaxistas e entregadores de aplicativo, mas sem linha específica de financiamento para motos, agora. O texto elimina algumas exigências da categoria, como obrigação de placa vermelha para motofrete, curso obrigatório para atuar, idade mínima de 21 anos e exigência de dois anos de CNH para trabalhar com entregas.
As principais mudanças já em vigor para a categoria incluem:
- Fim da obrigatoriedade da placa vermelha para motofrete
- Eliminação da inscrição paga no Detran
- Retirada da exigência de idade mínima de 21 anos (agora 18 anos)
- Fim do curso específico obrigatório para atuação no setor
- Eliminação da exigência de dois anos de habilitação
O curso especializado continuará existindo de forma opcional para os profissionais que desejarem realizar capacitação complementar.
Como acompanhar o lançamento do programa
A medida ainda depende de ajustes finais, mas o presidente Lula tem pressa e quer anunciar o financiamento ainda neste mês de junho de 2026. O tema foi discutido em reunião na segunda-feira (1º) entre o chefe do Executivo e ministros da área econômica. As equipes ficaram de estudar os modelos e levar as possibilidades ao presidente, que vai então bater o martelo sobre o formato da operação.
Entregadores interessados devem acompanhar os canais oficiais do governo, como o portal gov.br, para informações atualizadas sobre a abertura de cadastro e os requisitos definitivos do programa. Para mais informações sobre esse e outros assuntos, acesse Portal Melhor Idade.
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