Uma falha técnica no sistema de pagamentos da Dataprev resultou na suspensão do benefício do INSS de maio de 2026 para cerca de 10 mil segurados, após o credenciamento indevido de 69 agências bancárias.
Segundo comunicado oficial do INSS, a liberação de repasses por meio dessas unidades cadastradas de forma irregular já foi interrompida. As agências estavam vinculadas à Crefisa, instituição financeira cujo contrato de prestação de serviços com o instituto havia sido suspenso cautelarmente em 21 de agosto de 2025.
Os segurados afetados são aqueles que recebiam seus benefícios por meio das agências descredenciadas da Crefisa. O INSS assegurou que aposentados e pensionistas não terão perdas financeiras e serão transferidos automaticamente para outras instituições bancárias.
Por que o INSS decidiu bloquear os pagamentos de maio?
A suspensão foi determinada após a identificação de uma falha técnica no sistema da Dataprev — empresa responsável pelo processamento dos pagamentos previdenciários — que permitiu o credenciamento indevido de 69 agências bancárias.
Essas agências pertenciam à Crefisa e foram ativadas inadequadamente, permitindo a liberação de pagamentos que não deveriam ocorrer por essas unidades. A Dataprev informou que a ativação das agências ocorreu após o recebimento de dados encaminhados pelo próprio INSS, atribuindo ao instituto a responsabilidade pelas suspensões.
O INSS já havia determinado a suspensão cautelar do contrato com a Crefisa em agosto de 2025. A instituição financeira havia vencido 25 dos 26 lotes do leilão (Pregão Eletrônico de 2024) para o pagamento de benefícios previdenciários.
Quais irregularidades motivaram a suspensão do contrato com a Crefisa?
A medida preventiva de agosto de 2025 foi motivada por diversas denúncias de irregularidades na prestação do serviço. Os problemas identificados incluíam:
- Práticas de venda casada de produtos financeiros;
- Coação de aposentados para abertura de contas correntes;
- Portabilidades não autorizadas pelos beneficiários;
- Estrutura de atendimento inadequada nas agências, com filas extensas e ausência de caixas eletrônicos.
Mesmo após a suspensão cautelar do contrato, a falha operacional no sistema permitiu que os pagamentos continuassem sendo direcionados às agências da instituição, o que levou à nova intervenção do INSS em maio de 2026.
Os beneficiários perderão o dinheiro?
O INSS garantiu que não haverá nenhum tipo de prejuízo financeiro aos aposentados e pensionistas afetados. A suspensão possui caráter preventivo e visa corrigir a operação bancária.
Os segurados que recebiam seus benefícios por meio das agências descredenciadas não ficarão sem o dinheiro e serão realocados automaticamente para outros bancos. Não há necessidade de solicitação por parte do segurado para que essa transferência ocorra.
O bloqueio temporário dos depósitos foi adotado para evitar novos repasses incorretos e reorganizar o fluxo de pagamentos dos segurados afetados, garantindo que os valores sejam enviados por instituições devidamente autorizadas pelo INSS.
Como verificar se o benefício foi afetado pela suspensão?
Os segurados podem confirmar, por meio do portal Meu INSS, qual é a agência bancária vinculada ao seu benefício e verificar se houve alteração. O acesso pode ser feito pelo aplicativo ou pelo site.
No sistema, o beneficiário deve acessar o extrato de pagamento para identificar a instituição financeira responsável pelo depósito. Caso a agência pagadora tenha sido alterada, a informação constará no extrato atualizado.
Outra alternativa é entrar em contato diretamente com o banco onde o pagamento costumava ser realizado ou ligar para a Central 135 do INSS, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Quando os pagamentos serão normalizados?
Segundo o INSS, os pagamentos suspensos serão redirecionados automaticamente para outros bancos autorizados. A expectativa é que a regularização aconteça após a atualização dos dados bancários no sistema da Dataprev.
Os pagamentos foram oficialmente suspensos a partir de segunda-feira, 25 de maio de 2026. O instituto não divulgou prazo específico para a conclusão do processo de realocação, mas informou que está realizando ajustes internos para impedir que falhas semelhantes ocorram nos próximos meses.
O órgão destacou que os beneficiários não precisarão fazer novo cadastro nem comparecer presencialmente às agências para resolver a situação, salvo em casos específicos que exijam atualização cadastral.
Cuidados contra golpes durante o período de ajustes
Enquanto o problema é corrigido, a recomendação do INSS é que os beneficiários acompanhem exclusivamente os canais oficiais do instituto e evitem compartilhar dados pessoais com terceiros. Golpistas costumam se aproveitar de situações como essa para aplicar fraudes em aposentados e pensionistas.
O segurado nunca deve fornecer senhas, dados bancários ou informações pessoais por telefone, WhatsApp ou e-mail, mesmo que o interlocutor se identifique como funcionário do INSS ou de instituição bancária. O instituto não solicita esse tipo de dado por esses meios.
Em caso de dúvidas, o beneficiário deve acessar diretamente o aplicativo Meu INSS, ligar para o 135 ou comparecer a uma agência da Previdência Social com agendamento prévio.
Histórico de problemas entre INSS e Crefisa
O episódio ocorre em meio a um histórico recente de problemas envolvendo a relação entre o INSS e a Crefisa. A suspensão cautelar de agosto de 2025 já havia sinalizado dificuldades na execução do contrato de pagamento de benefícios.
Para o segurado afetado, a orientação permanece a mesma: aguardar a realocação automática, monitorar o extrato pelo Meu INSS e, em caso de ausência do pagamento após a normalização prevista, procurar a Central 135 ou uma agência do INSS para regularização. Para mais informações e notícias sobre o INSS, acesse Jornal Mix.
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